As tarefas domésticas parecem simples: lavar a louça, pagar uma conta, levar o lixo, organizar a casa ou fazer uma compra.
Mas, quando existe TDAH no casamento, essas atividades podem se transformar em uma das maiores fontes de conflito.
Não necessariamente porque o homem não queira colaborar.
O problema pode estar na dificuldade de organizar, iniciar, manter e concluir tarefas.
“Eu tenho que pedir tudo”
Uma das reclamações mais comuns do cônjuge é:
“Eu não quero ter que pedir. Ele deveria perceber sozinho.”
Essa expectativa é compreensível. Afinal, casamento é parceria.
Mas quando a pessoa com TDAH apresenta dificuldades de função executiva, esperar que ela mantenha todas as demandas mentalmente presentes pode não funcionar.
O que acontece então?
A esposa lembra.
Depois lembra novamente.
Depois cobra.
Depois perde a paciência.
O marido começa a sentir que está sendo constantemente controlado.
E o conflito deixa de ser sobre a louça, a conta ou o supermercado.
Passa a ser sobre respeito, confiança e responsabilidade.
Quando a esposa vira gerente
Com a repetição das falhas, uma dinâmica perigosa pode surgir.
Ela começa a administrar tudo:
“Você fez?”
“Quando vai fazer?”
“Não esquece.”
“Eu já pedi isso.”
“Se eu não falar, você não faz.”
Aos poucos, ela deixa de ser apenas esposa e passa a funcionar como gerente da rotina.
Ele, por sua vez, pode assumir uma posição passiva ou resistente.
É o início da conhecida dinâmica Pai-Criança.
Ela controla.
Ele reage.
Ela controla mais.
Ele resiste mais.
O casamento perde a relação de igualdade.
A solução não é cobrar melhor
Mais cobrança não necessariamente produz mais responsabilidade.
O casal precisa construir um sistema que reduza a dependência da memória e da cobrança.
Um calendário compartilhado pode registrar compromissos.
Alarmes podem sinalizar horários.
Quadros visuais podem deixar as tarefas expostas.
Uma atividade grande pode ser dividida em pequenas etapas.
E cada pessoa pode assumir determinadas responsabilidades de forma completa.
Por exemplo, em vez de:
“Você precisa me ajudar com a casa.”
pode existir um acordo concreto:
“Você será responsável pelo lixo e pela organização da garagem.”
A responsabilidade tem começo, execução e conclusão.
O homem com TDAH precisa assumir sua parte
Existe um cuidado importante nessa conversa.
Compreender o TDAH não significa utilizar o diagnóstico como justificativa para não cumprir responsabilidades.
O homem precisa reconhecer suas dificuldades e criar estratégias para compensá-las.
Se ele sabe que costuma esquecer determinada tarefa, precisa utilizar um alarme.
Se perde objetos, precisa estabelecer um local fixo.
Se começa atividades e não termina, precisa trabalhar com etapas e prazos.
A estratégia precisa estar no ambiente, e não apenas na intenção.
O objetivo é recuperar a parceria
A pergunta mais importante não é:
“Quem está fazendo mais?”
É:
“Como podemos dividir responsabilidades sem que um adulto precise administrar o outro?”
O casamento precisa voltar a funcionar como uma parceria entre dois adultos.
O TDAH pode exigir adaptações.
Mas essas adaptações não precisam transformar a esposa em fiscal nem o marido em dependente.
Quando cada um assume sua responsabilidade e o casal constrói ferramentas adequadas para lidar com as dificuldades executivas, as tarefas domésticas deixam de ser apenas motivo de briga e podem voltar a ser parte de uma rotina compartilhada.
No casamento, organização não é apenas produtividade. Também pode ser uma forma de proteger a confiança e o respeito entre os dois.
O TDAH pode fazer parte do casamento. Ele não precisa governar o casamento.
Leia também TDAH no casamento: quando o sintoma parece falta de amor
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Desejo a você e sua família uma semana na Graça



