Saber o que fazer não significa conseguir fazer
Uma das maiores fontes de conflito no casamento com TDAH é a diferença entre intenção e execução.
O homem pode saber exatamente o que precisa fazer, concordar com a tarefa e até desejar realizá-la. Mesmo assim, pode esquecer, adiar, começar e não terminar ou perder a sequência necessária para concluir o que havia planejado.
Para o cônjuge, isso pode parecer simplesmente irresponsabilidade.
Mas existe uma diferença importante entre não querer fazer e ter dificuldade para organizar e executar o comportamento necessário para fazer.
A função executiva entra em cena
As funções executivas estão relacionadas a processos como planejamento, organização, controle da atenção, gerenciamento do tempo e conclusão de tarefas.
Quando essas habilidades estão comprometidas pelo TDAH, atividades comuns podem se tornar mais difíceis.
Pagar uma conta.
Responder uma mensagem importante.
Levar algo para determinado lugar.
Organizar documentos.
Começar uma tarefa doméstica.
Lembrar de um compromisso.
O problema pode não estar no conhecimento da tarefa, mas na capacidade de mantê-la ativa e conduzi-la até o final.
Quando a esposa precisa lembrar de tudo
Se as tarefas não são realizadas, alguém precisa assumir.
É nesse momento que muitas esposas começam a funcionar como um sistema externo de memória:
“Você já fez?”
“Não esquece.”
“Você combinou isso.”
“Precisa fazer hoje.”
“Eu já falei sobre isso.”
No começo, os lembretes parecem necessários.
Com o tempo, porém, podem criar uma relação de dependência.
Ela passa a administrar.
Ele passa a esperar que ela lembre.
Ela fica sobrecarregada.
Ele se sente controlado.
E o casamento começa a perder a característica de parceria.
A solução não é aumentar a cobrança
Se a cobrança repetida resolvesse o problema, muitos casamentos já teriam solucionado essa dificuldade.
O caminho é criar estruturas externas de organização.
Por exemplo:
- calendário compartilhado;
- alarmes;
- lembretes visuais;
- listas objetivas;
- horários definidos;
- tarefas divididas em etapas;
- locais específicos para objetos importantes.
A lógica é simples:
tirar a responsabilidade da memória e colocá-la também no ambiente.
Isso não significa infantilizar o adulto com TDAH.
Significa criar ferramentas de compensação.
Responsabilidade continua sendo responsabilidade
Existe outro ponto fundamental.
Compreender o TDAH não significa transformar o diagnóstico em justificativa para tudo.
O homem precisa participar ativamente da própria organização.
Se uma tarefa é sua, ele precisa desenvolver mecanismos para lembrar, executar e acompanhar essa tarefa.
O objetivo não é fazer a esposa lembrar por ele.
É fazer com que ele encontre formas confiáveis de assumir aquilo que lhe pertence.
Cada adulto precisa continuar sendo adulto
Uma divisão saudável de responsabilidades não significa que ambos executarão tudo da mesma maneira.
Significa que cada um possui áreas pelas quais responde.
Quando o homem assume uma determinada responsabilidade, é importante que tenha autonomia para conduzi-la do início ao fim, utilizando as ferramentas necessárias.
Quando a esposa deixa de supervisionar cada etapa, ela deixa de ocupar a posição de gerente.
E quando ele assume integralmente sua responsabilidade, deixa de ocupar a posição de alguém que precisa ser administrado.
O objetivo não é perfeição.
É autonomia, previsibilidade e responsabilidade.
No casamento afetado pelo TDAH, organizar melhor as tarefas não é apenas uma questão doméstica.
É também uma forma de proteger a confiança, o respeito e a parceria entre os dois.
O TDAH pode fazer parte do casamento. Ele não precisa governar o casamento.
Leia também TDAH no casamento: quando o sintoma parece falta de amor
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Desejo a você e sua família uma semana na Graça



